Lema

«Entendey minha verdade»

O lema ou divisa da Escola Gil Vicente, herdado do tempo do Liceu, corresponde ao verso 80 da Farsa da Lusitânia (por vezes referenciado como Auto da Lusitânia) e corresponde ao apelo do Cortesão pretendente à mão da jovem Lediça à compreensão das suas melhores intenções amorosas. Ela não cede e desconversa, e ele insiste, pedindo-lhe um procedimento quase lógico: ouve, reflete na consistência das minhas palavras e dos meus atos e depois conclui.

Se o verso está fora de contexto, o sentido do apelo não se perde. O trabalho que o saber exige é intelectual. Não se trata de operações mecânicas (ler, estudar, por exemplo), mas sim de uma interpelação quase filosófica: decifrar, compreender, entender, interpretar, aprender e, só assim, saber.

Aliás, a Farsa da Lusitânia é uma peça sobre as virtudes e potencialidades de Portugal e do seu povo. É curiosa pela sua estrutura dramática – há teatro dentro do teatro – há personagens alegóricas e deusas, homens e mulheres comuns, alertas morais e apologia nacional. Portugal é um todo de que cada um faz parte. Não é, de novo, difícil aceitar a escolha desta obra de Gil Vicente para dela se retirar o verso no qual se pretende fundar o projeto educativo da nossa escola.

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